Teoria do Design Inteligente

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A Teoria do Design Inteligente (TDI) é a teoria científica que defende que alguns aspectos da natureza são melhor explicados através de uma causa inteligente e com um objetivo, ao invés de meras causas naturais cegas e sem objetivo. Pode-se dizer que a TDI é o estudo de padrões na natureza e suas propriedades informacionais, os quais não podem ser explicados como resultados de forças naturais puramente cegas, mas sim como resultados da ação de um agente inteligente. Os teóricos do Design Inteligente (denominados inteligentistas) procuram distinguir causas naturais das causas inteligentes. Segundo William Dembski, a afirmação fundamental do Design Inteligente é a de que existem sistemas naturais que não podem ser explicados adequadamente em termos de forças naturais não direcionadas e que exibem características que, em qualquer outra circunstância, seriam atribuídas a alguma inteligência[1].

Muitos críticos da TDI confundem os inteligentistas como se fossem criacionistas, e tentam fazer disso um argumento contra a TDI, o que constitui um típico caso de falácia genética. Este tipo de argumento não faz da TDI uma pseudociência, como alguns críticos tentam fazer. O caráter científico da TDI é demonstrado de diversas formas, baseadas em práticas já há muito tempo estabelecidas em diversos campos da ciência. Práticas essas que os críticos costumam não mencionar por ignorância, ou como tentativas intencionais de desacreditar a TDI. Em vista de tudo o que já se sabe e se discute sobre essa teoria em artigos e livros, é possível caracterizar algumas dessas tentativas como casos de desonestidade intelectual quando elas representam de maneira clara "a omissão consciente dos aspectos da verdade conhecida ou acredita como sendo relevante num contexto particular".

De acordo com o artigo de revisão escrito pelo The Lancet do Handling of Scientific Misconduct in Scandinavian countries, existem duas definições de má conduta científica:

  • Definição dinamarquesa: Intenção ou negligência grosseira que conduza à fabricação de uma mensagem científica ou a um falso crédito ou ênfase dada a um cientista;
  • Definição sueca: Distorção intencional do progresso científico pela fabricação de dados, textos, hipóteses ou métodos dos formulários manuscritos ou publicações de outros pesquisadores; ou distorção do progresso científico de outras maneiras.

Sendo a TDI uma teoria científica que procura expandir o conhecimento humano através de técnicas já conhecidas, e por conseguinte, a favor do progresso científico, a negligência ou a distorção a respeito do conhecimento gerado pela TDI pode ser caracterizada como má conduta científica, se procedida nos meios acadêmicos.

É possível atribuir algumas dessas críticas feitas à TDI ao fato de ela ser uma teoria relativamente recente na história da ciência, embora exista alguma semelhança com o antigo argumento teleológico. O argumento teleológico é um argumento metafísico, o qual foi usado para se tentar provar a existência de Deus. A TDI não procura fazer inferências a respeito de qualquer entidade sobrenatural, atentando-se somente a inferências de design através do método científico, e por isso, pode-se dizer que ela é, na sua essência, empírica, assim como o são os diversos campos da ciência que já fazem uso das práticas adotadas pelos inteligentistas, contrariamente à crítica falaciosa de que "a TDI tenta redefinir as regras da ciência".

A forma básica pela qual os inteligentistas procuram distinguir as causas naturais das causas inteligentes é pela presença de informação, que é uma entidade cuja única causa que melhor explica a sua origem é a inteligência. Pela experiência, sabe-se que muitos elementos da realidade – como a linguagem, códigos e máquinas – dependem diretamente da informação produzida por agentes inteligentes. Somente esse tipo de agente causador é capaz de fazer previsões para atingir um objetivo específico, como por exemplo na construção de um carro, ou no uso de palavras escritas para transmitir uma mensagem.

Através do estudo dos tipos de informação produzidos por agentes inteligentes, os inteligentistas examinam aspectos ou objetos da realidade para testar se eles contém algum desses tipos de informação. Quando os testes dão resultados positivos, faz-se a inferência de que uma causa inteligente operou na produção daquele aspecto ou objeto. Essa inferência acontece devido ao reconhecimento de que somente a agência inteligente é capaz de fazer previsões a respeito da realidade ao qual o aspecto ou objeto em estudo está submetido, e com base nelas, produz informações que visem ao cumprimento de um objetivo final. Nesse sentido, o inteligentista tem um trabalho muito semelhante ao trabalho de outros cientistas já bem estabelecidos:

  • Arqueólogos, que precisam distinguir formações rochosas causadas por forças geológicas naturais, de formações rochosas construídas por agentes inteligentes – como muros, estradas e objetos antigos, ou como exemplos mais notáveis, as formações do Monte Rushmore), do Stonehenge, ou mesmo as imagens encontradas em diversas plantações ao redor do mundo;
  • Cientistas forenses, que tem a responsabilidade jurídica de distinguir mortes naturais de mortes causadas intencionalmente (ou seja, assassinatos). Responsabilidade essa sobre a qual depende toda a integridade dos sistemas de justiça penal em todo o mundo;
  • Climatólogos, que estão sendo cada vez mais pressionados para distinguir entre mudanças climáticas causadas naturalmente, daquelas causadas pela atividade humana.

De maneira geral, qualquer método que procure detectar causas inteligentes está a procura por altos níveis de Complexidade e Especificidade. A isto, dá-se o nome de Informação Complexa e Específica (ou ICE). Sempre que um cientista está diante de um aspecto da realidade ou de um objeto que exiba altos índices de complexidade e especificidade, ele é conduzido a inferir uma causa inteligente. Em muitos aspectos da natureza, muitos tipos de ICE são encontradas, desde as constantes usadas nas leis da natureza, até às máquinas moleculares encontradas dentro de uma célula.

Outra maneira de procurar causas inteligentes é pela detecção de Complexidade Irredutível. Sistemas que requerem múltiplas partes para funcionar precisam de um arranjo mínimo, sem o qual o sistema não funcionaria. A mera quantidade e existência das partes não faz o sistema funcionar, portanto, é necessária uma quantidade mínima (Irredutibilidade) e uma disposição específica dessas partes para que o sistema estudado possa funcionar corretamente.

Uma das grandes áreas das quais a TDI depende é a Teoria da Informação. Uma vez que a causa inteligente foi detectada, há sempre propriedades informacionais pelas quais se possa inferir a funcionalidade e eficiência dos sistemas estudados. Nessa área, as idéias de probabilidade, entropia de Shannon, transmissão de dados, codificação, compressão de dados, criptografia e correção de erros se tornam fundamentais para a compreensão da TDI.

Outras grandes áreas que tem grande relação com a TDI são a Engenharia de Sistemas e a Cibernética, e especialmente a Engenharia Reversa. Já as áreas da Biomimética e da Engenharia Genética podem ser entendidas como frutos da mentalidade inteligentista, uma vez que nessas áreas, aspectos importantes de sistemas biológicos são reproduzidos em engenharia para aumentar a eficiência de sistemas já existentes, ou mesmo na concepção de sistemas novos que sirvam a alguma utilidade humana. A imitação de sistemas já existentes na natureza é consequência de um exame informacional dos sistemas naturais que, em caso de terem tido uma causa inteligente, poderão ser sempre consultados e reproduzidos a fim de vários benefícios para o ser humano.

Bibliografia

Referências

  1. The Design Revolution, p. 27.

Ver também